
A delimitação das fronteiras do discurso político mediático na Guiné-Bissau é uma tarefa muito complexa em virtude da sua fluidez e da heterogeneidade da sua natureza multifacetada e polimórfica. Quando olhamos para o discurso político mediático da nossa sociedade política relativo ao processo de recenseamento eleitoral em curso ou que terminou “com desconhecimento do conhecimento” do seu fim em todo o território nacional e na diáspora, compreendemos melhor a capacidade de circulação e de penetração do discurso político mediático nas instituições da sociedade civil e na nossa esfera pública nacional.
Enquanto o discurso político mediático nacional continua a ter marcas de contaminação social na nossa esfera pública e nas instituições da sociedade cívil nacional, a única saída airosa para obtermos um processo eleitoral livre, justo e transparente é deixarmos de lado os famosos kits nigerianos e recorrermos a contagem manual dos votos eleitorais.
No discurso político mediático nacional reinam os interesses legítimos e divergentes da nossa sociedade política cujas contradições quotidianas para a imposição do seu ponto de vista social e política precisam ser compatibilizadas. Esta deveria ser tarefa do chamado P5 que revela claramente um assumir de posições em função dos interesses legítimos e divergentes da nossa sociedade política.
É o esvaziamento da conflitualidade dos interesses legítimos e divergentes na nossa sociedade política que conferirá ao discurso mediático do P5, sobretudo à CEDEAO, a credibilidade na nossa esfera pública. Aliás,não somente esvaziar a conflitualidade de interesses legítimos e divergentes da nossa classe política mas também os homens do P5 devem colocar-se à margem de visões políticas e partidárias dos nossos políticos.
Na verdade nunca, na nossa esfera pública, a CEDEAO apresentou de forma clara e inequívoca a sua visão de compatibilização da conflitualidade de interesses legítimos e divergentes da nossa sociedade política. O que assistimos permanentemente são conjuntos de discursos políticos mediáticos dos governantes da CEDEAO, também ele sem apresentação clara de um argumento de compatibilização das pretensões legitimas e divergentes da nossa sociedade política.
António Nhaga
Diretor-Geral