
Duas empresas senegalesas e uma guineense assinaram na terça-feira, 01 de maio, um acordo de intenção de compra da castanha de cajú da Guiné-Bissau, com base no preço de referência de mil (1 000) Francos CFA [1,5 euro) anunciado pelas autoridades guineenses.
Tratam-se da empresa senegalesa denominada “Societé INSEN-FOOD” que tem o contrato para a compra de 100 mil toneladas do ‘Ouro’ guineense e outra, também senegalesa, “MERY LOGISTICS”, vai comprar 20 mil toneladas, totalizando assim 120 mil toneladas da castanha a serem compradas pelas duas empresas.
O Democrata apurou ainda que a empresa nacional “Cuba Lda” comprometeu-se a comprar a castanha no terreno a nível de todo o território nacional para depois revende-la às duas empresas senegalesas. Esse entendimento foi facilitado pelos Chefes de Estado dos dois países, José Mário Vaz e Macky Sall, mediado pelos ministérios do Comércio dos dois países engajados nas negociações.
Em declarações à imprensa, o ministro de Comércio do Senegal, Aliuone Sarr, anunciou o entendimento entre os sectores privados senegalês e guineense para a compra e revenda da castanha, depois de dois dias de negociações. Acrescentou ainda que o entendimento chegado foi graças à tenacidade do sector privado do Senegal e da Guiné-Bissau que contou com o apoio dos dois governos.
“Este dossier entra no quadro da melhoria do comércio intra-regional ao nível dos países de zona da União Económica e Monetária Oeste Africana – UEMOA e igualmente da Comunidade Económica dos Estados da Africa Ocidental – CEDEAO. Tudo isso é no âmbito do acordo assinado recentempente em Kigali, Rwanda, por 44 Chefes de Estado e do Governo de África com o propósito de criar a Zona Livre Comércio Continental denominado de ZLEC”, explicou, para de seguida avançar que a ZLEC tem como objetivo aumentar em 50 por cento o nível do comércio intra-africano.
Neste sentido, assegurou que os governantes devem ajudar os sectores privados africanos a trabalharem em conjunto, de forma a valorizar as suas actividades e aproveitar o mercado.
Vicente Fernandes, ministro guineense do Comércio, Turismo e Artesanato, reconheceu na sua declaração aos jornalistas que é obrigação do governo arranjar soluções no concernente à situação da campanha de comercialização do cajú.
O ministro disse estar satisfeito com o resultado alcançado depois de dois dias de negociações, durante as quais as duas empresas senegalesas e a guineense conseguiram assinar uma declaração de intenções de adquirir a castanha de cajú.
Assegurou ainda que não pode avançar com alguns pormenores, porque o assunto será objeto de discussão e pronunciamento na reunião do conselho de ministros.
“Sabemos que os agricultores estão neste momento a passar situações muito dificeis. E sabemos que estão a precisar dedinheiro para fazer face ao dia-a-dia. Sabemos que têm famílias para alimentar e nós não podemos permitir a eternização deste assunto, porque a chuva aproxima-se e podemos levar ao caos ou à calamidade este país”, notou.
Por: Assana Sambú