
O candidato do Partido da Unidade Nacional (PUN), Idriça Djaló, criticou duramente a classe política dirigente da Guiné-Bissau, que diz não ter moral para com o país, nem para com o povo. Acrescentou que a única agenda da classe política dirigente é trabalhar para se enriquecer a custa do povo, construir casas com fundos públicos, adquirir viaturas e cuidar das suas famílias.
O candidato e líder do PUN fez essa crítica numa entrevista conjunta à rádio África FM e ao Jornal O Democrata, com o propósito de fazer um pequeno balanço da sua campanha eleitoral para a mobilização dos eleitores a fim de acreditarem no seu projeto político. Porém, reconhece que a campanha eleitoral está a decorrer com muitas dificuldades financeiras, contudo diz não estar arrependido por estar a participar no embate eleitoral. Segundo Idriça Djaló, a sua participação nas eleições de 24 de novembrorevela-se importante, porque representa um marco importante na viragem da página da história política do país sobre como se deve, realmente, fazer política e a democracia.
“Acreditamos que muitos eleitores apostarão na nossa candidatura, como sinal de reconhecimento pelo papel que tenho jogado faz quatro anos. Tenho o sentimento que a nossa população tem consciência clara de que quem pode inverter a lógica de caos em que o país se encontra é o Idriça Djaló. E espero que todos os guineenses com essa convicção e entendimento votem na minha candidatura ”, observou.
Idriça Djaló referiu igualmente que todos os políticos que tiveram a responsabilidade de governar o país até agora já não têm condições ou não estão qualificados para continuar a dirigi-lo ou apresentar soluções consentâneas aos problemas da Guiné-Bissau.
“A Guiné-Bissau só conhecerá um novo arranque se tiver a sua frente um político capaz de entender o disfuncionamento do sistema. Todas essas pessoas que participaram na governação do país devem ser afastadas definitivamente no cenário político guineense, porque o que se assiste na Guiné-Bissau é a prova da má governação, consubstanciada no nível acelerado de degradação das instituições públicas, do país e da moral da nossa população, que está abandonada a sua sorte nas regiões, setores e tabancas”, criticou.
Sublinhou, no entanto, que a única agenda da classe política guineense é cuidar apenas das casas, famílias e ostentar carros de luxo e que o dinheiro e outros bens que roubam do Estado não são utilizados na produção de riqueza, para garantir emprego aos guineenses. Ou seja, a agenda dos políticos guineenses resume-se apenas às suas famílias e às agendas pessoais.
“Têm infraestruturas, casas e carros montados no exterior e estão a conduzir o país para o caos. Portanto, a minha credibilidade deve-se ao fato de nunca ter mentido ao povo e por todos os cantos onde passei sempre mostrei aos eleitores qual a ligação entre a má governação e condição difícil de vida que enfrentam, com falta de água potável, falta de infraestruturas rodoviárias, falta de postos sanitários, agricultura e, sobretudo, no seu dia a dia e como colocar um ponto final a essa tragédia que dura já há uma eternidade”, detalhou.
Por: Assana Sambú
Não conheço Idriça Djalo. Mas o diagnóstico que faz é fundamental para dar à Guiné–Bissau um futuro digno. Futuro que poderia ter.
Este país precisa de incutir confiança nos seus cidadãos e de homens com esta fibra.