
A igreja católica e a sociedade guineense em geral despediram-se na tarde desta segunda-feira, 23 de dezembro de 2019, do Vigário-Geral da diocese de Bafatá e presidente da Comissão Organizadora da Conferência Nacional para Paz, Reconciliação e Desenvolvimento da Guiné-Bissau, Padre Domingos da Fonseca.
O Vigário-Geral da diocese de Bafatá e pároco da paróquia de Imaculado Coração de Maria – Bambadinca, região de Bafatá leste da Guiné-Bissau, morreu no dia 19 do mês em curso no hospital regional de Ziguinchor, região de Casamança no sul do Senegal, vítima de insuficiência renal. A Missa do corpo presente do Padre Domingos da Fonseca, foi realizado pelo Bispo da Diocese de Bafatá, Dom Pedro Zille na presença do Bispo de Bissau e do seu auxiliar, Dom José Camnate Na Bissing e Dom José Lampra Cá, respectivamente.
Cânticos e orações marcaram a sessão solene evocativa de homenagem ao Vigário-Geral da diocese de Bafatá que morreu aos 64 anos de idade. Várias individualidades de outras confessões religiosas, figuras polítcas e da sociedade civil guineense, sobretudo o presidente da Assembleia Nacional Popular, Cipriano Cassamá e a ministra da Administração Territorial, Maria Odete Costa Semedo.
Em nome da Igreja Católica, Padre Augusto Mutna disse que o Padre Domingos da Fonseca, era um homem de muita fé, que evangelizou e fez evangelizar dentro das suas limitações e, enquanto ser humano procurou lutar e entregou-se com fé a causa da igreja dentro dos princípios que orientam a vida sacerdotal.
Assegurou ainda que o Vigário-Geral da Diocese de Bafatá (Domingos da Fonseca), mostrou-se dinâmico enquanto pastor e docente, contribuíndo para o despertar da vocação sacerdotal e consequentemente do surgimento de novos padres espalhados por todo o país.
“Foi grande combatente do diálogo e da paz, facto que motivou a sua indigitação pela igreja para presidir a Comissão Nacional de Reconciliação, tornando assim o grande factor da ligação da igreja e o Estado”, realçou.
Para o presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos, Augusto Mário da Silva, a morte do Padre, constituiu grande perda para o país, porque conforme disse, ” o padre foi o grande promotor do diálogo nacional, mediação da crise institucional que abalou o país nos últimos anos”.
Disse ainda que toda a sociedade civil, está de luto, por ter perdido um grande combatente de paz, diálogo e reconciliação.
“Ele morreu tão prematuramente, não vai poder participar na conferência que ele tanto batalhou para acontecer, mas infelizmente” lamentou o ativista.
Recorde-se que o Domingos da Fonseca, foi ordenado Padre em dezembro 1984. Foi professor de Teologia Fundamental e Dogmática no “Seminário Maior” Interdiocesano desde 2001. Em 2015, foi nomeado pároco da paróquia de Imaculado Coração de Maria em Bambadinca e no mesmo ano através da indicação da Igreja, foi nomeado como presidente da Comissão da Organização da Conferência Nacional de Reconciliação, até a data da sua morte.
Por: Epifania Mendonça
Foto: E.M