
O linguista guineense, Incanha Intumbo, aconselhou os homens da imprensa escrita a lerem mais e que se capacitem mais para que, no seu ato de comunicação com os leitores, possam ter uma comunicação eficiente e transmitir de forma clara a mensagem.
Incanha Intumbo fez esta chamada de atenção no sábado, 24 de janeiro de 2020, no final da primeira das três sessões previstas de capacitação de jornalistas do jornal O Democrata em matéria da técnica da escrita. As sessões estão a ser orientadas pelo próprio Incanha Intumbo e decorrem nas instalações do jornal, em Bissau.
O linguista não fez nenhum comentário ou julgamento sobre os conteúdos. Mas a nível da escrita sublinhou que é preciso muito trabalho, “porque alguns jornalistas obrigam ao leitor um trabalho extenuante de tentar compreender o que está escrito e é preciso superar esse estrangulamento”.
Destacou a vontade demostrada pelos profissionais de O Democrata “em serem muito corretos na comunicação”.
“A perfeição ninguém a tem. Se calhar durante toda a vida não vamos conseguir a perfeição em termos de comunicação, mas fazer o melhor possível para transmitir o que o jornalista tem para o seu leitor. Notei essa preocupação e é o que quero sublinhar, a vontade que esses profissionais demostraram para melhorar a comunicação com os seus leitores”, realçou.
Por sua vez, o administrador do jornal, Maurício Mané, informou que aposta da direção administrava para este ano é adotar os repórteres de ferramentas não só de língua portuguesa como também de outras áreas temáticas.
“Um jornalista ou repórter que lida com diferentes temas e assuntos tem que ter no mínimo domínio de alguns termos técnicos e conhecimento sobre o funcionamento de certos setores para poder fazer um tratamento jornalístico eficiente sob pena de criar mais confusão ao leitor. É o caso mais recente ligado ao Acórdão do Supremo Tribunal de Justiça em que os jornalistas não conseguiram comunicar de forma clara.
Quando um jornalista não domina certas terminologias ou setores não pode estar à vontade em abordar jornalisticamente nenhuma matéria e não ajuda também na compreensão do público leitor”, observou.
Segundo Maurício Mané, a administração decidiu encarar com determinação o desafio, porque julgou que há toda uma necessidade de capacitar os jornalistas em vários domínios com destaque à componente escrita. Sustenta neste sentido que o jornal enquanto imprensa escrita que também tem a sua base de produção a escrita e a língua portuguesa como produto de contato com o leitor e em que o jornal é escrito, os seus profissionais precisam de serem capacitados permanentemente.
“Além de estudarem a língua portuguesa e beneficiar do curso de formação em jornalismo, o português é o canal de entrega do produto (conteúdo) ao leitor, por isso é importante discutir com pessoas versadas na matéria para superar certas falhas técnicas não intencionais que aparecem nos textos”, notou.
Por: Filomeno Sambú