
O Primeiro-ministro Aristides Gomes, denunciou no início desta tarde, 1 de março de 2020, que haverá um plano que visa assassinar alguns indivíduos considerados principais figuras de Estado incluindo ele, visto como um obstáculo a “certas formas de exercício do poder”. Gomes fez estas denúncias aos jornalistas na sua residência para reagir à “invasão” da sua residência particular por indivíduos armados, que segundo ele, vieram a mando do Ministério do Interior retirar-lhe duas viaturas de escolta policial e ameaçaram neutralizar a sua segurança e detê-lo.
Gomes foi demitido a 28 de fevereiro por um decreto assinado por Úmaro Sissoco Embaló, declarado vencedor do escrutínio de 29 de dezembro pela Comissão Nacional de Eleições (CNE) e investido no passado dia 27 de fevereiro, num ato realizado numa das unidades hoteleiras da capital Bissau e presidido pelo primeiro vice-presidente da Assembleia Nacional Popular (ANP), Nuno Gomes Nabiam.
Aristides Gomes disse na sua declaração aos jornalistas que jamais seria um obstáculo com recurso à violência, mas que sê-lo-ia na base de legalidade constitucional. Recordou neste particular que nas suas ações políticas nunca procurou apoiar-se na legalidade através das forças da defesa e segurança.
“Como sabem a Prematura está ocupada há alguns dias. O Ministério do Interior foi ocupado muito cedo, o Supremo Tribunal, o Ministério da Justiça e o Ministério das Pescas também foram ocupados e praticamente o governo legítimo que vem das eleições de Março, não pode funcionar… Estamos face a uma situação do bloqueio total. A segunda fase desta investida é contra os membros do governo e sobre o protesto de confisco de viaturas do Estado”, relatou.
Solicitado a pronunciar-se sobre a atuação de ECOMIB (Forças de interposição da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental) que garantem a sua segurança e de alguns titulares de órgãos de soberania, explicou que a ECOMIB tem que ser acompanhada pelas forças nacionais e que não pode aparecer como uma força da ocupação da Guiné-Bissau por respeito pela legalidade internacional e por respeito ao povo guineense.
Gomes disse que deu instruções a sua segurança e aos elementos do ECOMIB que se encontram na sua residência para não reagirem às provocações.
“Não quero ser um fator de tensão e de rixas que pudessem conduzir à violência. Eu gostaria de sair disto de uma forma sã e que aquele que devem exercer o poder e que o exerçam, mas eu gostaria que fosse na base da legalidade”.
Interrogado pelo jornal O Democrata sobre quem estaria a dirigir o país com a renúncia de Cipriano Cassamá , se é ele ou o Nuno Nabiam [nomeado Primeiro-ministro], Gomes respondeu que neste momento quem está a dirigir o país é quem tem a força.
Solicitado a explicar quem realmente tem a força, respondeu o seguinte: “eu penso que os jornalistas é que devem investigar para verem quem é que está a movimentar as forças! Quem é que veio buscar carros aqui na minha residência… quem é que ocupa as instituições. Penso que esta questão não é para mim, mas devia ser para os atores que estão em presença”.
Sobre a renúncia de Cipriano Cassamá do cargo do Presidente interino, informou que é um problema da Assembleia Nacional Popular, que é a entidade que ocupa de aplicação legal em matéria de interinidade e não o governo.
Questionado sobre a possibilidade de demitir-se do cargo do Primeiro-ministro tendo em conta as ameaças que diz ser alvo, respondeu que o governo não tem que demitir-se ou continuar, porque o governo trabalha se tiver condições de fazê-lo.
“Você assassina as pessoas, intimida ou humilha, mas no fim tem que governar as pessoas como nós, que somos humilhados e feridos na nossa dignidade de homens e mulheres…”, notou.
Por: Assana Sambú
Foto: A.S
Mas até onde qui queremos ir?