
O diretor da Rádio Sol Mansi responsabilizou a classe política guineense pela queda que o país registou no capítulo de liberdade de imprensa e lembrou que desde a realização das eleições legislativas de 10 março até às presidenciais de 29 de dezembro de 2019, muitos jornalistas foram humilhados por políticos.
Casimiro Jorge Cajucan fez essa observação na entrevista que concedeu ao jornal O Democrata para falar do dia mundial de liberdade de imprensa que se assinala hoje, 03 de maio. Segundo relatório da organização de Repórteres sem Fronteiras, a Guiné-Bissau estava em 94º posição e caiu cinco posições e sofrendo maior queda entre os países lusófonos.
O mesmo relatório da RSF considera que o “impasse político” no país tem sido “um obstáculo à liberdade de imprensa”. A organização destacou a ocupação, no início de 2020, da sede da rádio e a televisão nacionais por militares próximos ao Presidente Úmaro Sissoco Embaló, no contexto da crise política surgida depois da segunda volta das presidenciais de dezembro de 2019.
Em reação, Casimiro Jorge Cajucan frisou que todos os fatos relatados são reais e refletem exatamente aquilo que tem sido atuação de sucessivos governos e poder militar na Guiné-Bissau.
“Temos relatos de jornalistas de uma tentativa de agressão a um jornalista da Rádio Capital por homens fardados, um candidato que humilhou um jornalista da Rádio Jovem em plena campanha eleitoral, jornalista agredido na cobertura de anúncio de resultados eleitorais das legislativas, tentativa de humilhar a correspondente da RDP-África, jornalista vaiado na sede de uma formação política por colocar uma questão que não caiu bem aos militantes daquele partido, numa conferência de imprensa que seria só com os jornalistas, mas que se tranformou num campo de claque contra jornalista”, destacou.
Casimiro Cajucan notou, por isso, que “de uma forma propositada” nunca os governos colocaram em cima da mesa para discutir a questão da subvenção dos órgãos de comunicação social, porque “têm a consciência que se os órgãos não forem tão dependentes dos políticos ou se tiverem uma estabilidade financeira aceitável, os jornalistas não serão manipulados e serão os verdadeiros fiscalizadores das ações da governação”.
Defendeu o modelo de negócio para o setor de comunicação social que deverá ser sustentado através de uma proposta credível e um interlocutor (classe política) credível e alertou que as organizações da classe jornalística (Sindicato Nacional de jornalistas e Técnicos da Comunicação Social e a Ordem de Jornalistas da Guiné-Bissau) devem continuar a fazer pressão para que a proposta sobre o modelo de negócio apresentada, seja executada e que os jornalistas possam gozar dos seus direitos. O diretor da Rádio Sol Mansi admitiu que existe liberdade de imprensa na Guiné-Bissau, mas de quando em vez ela é picada “por cobras políticos”, sobretudo quando percebem que as suas inverdades são expostas ao público.
“Mas também a uma certa libertinagem dos profissionais da comunicação social. Há jornalistas que envergonham a classe, porque aceitaram ser manipulados e se vendem. Um jornalista tem que ser autêntico para poder ser livre, escravo da verdade, trabalhar pela verdade e noticiar com precisão. Um jornalista não pode tomar partido ou ser “claqueiro” de um político ou de uma formação política e deve existir sempre uma relação cordial entre jornalista e político”, sublinhou.
“Quando um país perde posições no ranking em matéria de liberdade de imprensa, isso deveria preocupar as autoridades”, realçou.
Por: Filomeno Sambú
Foto: F.S