Especialista em saúde pública: “APOIO A CEM POR CENTO A MEDICINA NATURAL E TRADICIONAL NO TRATAMENTO DA COVID-19”

O especialista guineense em saúde pública, Plácido Cardoso, afirmou que apoia a “cem por cento” o uso da medicina natural e tradicional no tratamento do novo Coronavírus (Covid-19) e informou que em relação à questão de Madagáscar, que produziu a Covid-Organics (remédio natural) à base da planta Artemísia, em Xarope e Chá, teve a oportunidade de contatar “pessoas isentas” ligadas ao mundo da ciência, com conhecimento amplo no campo da medicina natural e tradicional para se informar.

O especialista fez esta observação em entrevista exclusiva ao jornal O Democrata para analisar a subida, nos últimos dias, de casos de Covid-19 na Guiné-Bissau e sugerir estratégias que poderiam ser adotadas pelas autoridades sanitárias e nacionais para travar a propagação da doença que já chegou à transmissão comunitária. Na entrevista, Plácido Cardoso defendeu que nada deve ser deixado de fora num processo de cura, não apenas no caso concreto da Covid-19, mas também em qualquer processo.

“Já tivemos doentes, que depois de um tratamento médico convencional, pediram para saírem temporariamente do hospital para irem curar ou fazer tratamento tradicional, nós aceitamos e teve um impacto positivo. Ora, se foi o que nós tratámos ou a cura tradicional que resultou na cura desses pacientes, nunca entrei nesses pormenores, mas o que quero dizer é que tudo conta”, notou.

CARDOSO CRITICA A POLITIZAÇÃO DAS INICIATIVAS DACAMPANHA DE PREVENÇÃO DO COVID-19

O especialista em saúde pública sublinhou que é preciso, primeiro ter tempo suficiente para estudar o produto, não porque vem da África ou da medicina tradicional africana, mas também porque a substância, o princípio ativo desse Covid-Organics, vem da planta Artemísia que tem o mesmo princípio ativo de Quartem. Em reação a certos comentários sobre a eficácia ou não do medicamento no tratamento da Covid-19, Cardoso disse ter tido acesso a um comentário de 05 de maio de 2020 da autoridade alemã que promove o uso da medicina tradicional na Alemanha dirigido às autoridades de Madagáscar com a prescrição (dose) da forma como o medicamento deve ser tomado por faixa etária.

O médico guineense frisou que entre o leque de sugestões apresentadas pela entidade alemã aos malgaxes, figura a apresentação geral do medicamento (volume da caixa), apoiar os países africanos a identificarem as plantas que tenham no seu conteúdo o princípio de Artemísia, de forma a que possam ser independentes e usá-lo (o medicamento) conforme a farmacopeia ( documento oficial que define e estabelece as normas e requisitos técnicos a que devem obedecer as matérias-primas, substâncias de uso farmacêutico, métodos analíticos e fármacos usados)  de  cada país.

Informou na mesma entrevista que o Gabinete Regional da Organização Mundial de Saúde (OMS-Afro) está a recomendar aos países africanos que ainda não tenham constituído os comités científicos que o façam não só para analisar o Covid-Organics, como também para a participação da medicina natural e tradicional na cura de novo Coronavírus.

“Covid-19 não tem nenhum tratamento específico, é uma doença viral e como todas as doenças virais, o seu tratamento deve ser sintomático. A gripe, por exemplo, tomando ou não medicamentos ela faz mais ou menos 15 dias. O tratamento de Covid-19 é sintomático, mas os medicamentos que poderão ser usados já no coso de complicações está o oxigénio para as pessoas com um quadro clínico respiratório muito desproporcional e antibiótico para as infeções, caso existam pessoas com esses problemas”, assinalou.

Admitiu, contudo, que na verdade a questão suscitou ultimamente, um debate a nível mundial de que o medicamento proveniente de Madagáscar (convid-organics) não deve ser aplicado na prevenção nem na cura da doença, porque não tem a qualificação da OMS, mas lembrou que a nível interno (Guiné-Bissau) são usados muitos medicamentos naturais e tradicionais que não têm nem mesmo a pré-qualificação da OMS.

“Tratamos doentes de SIDA do Tipo II com os medicamentos que provenientes do Brasil, mas não têm a pré-qualificação da OMS e os medicamentos são adquiridos através de diferentes quadros de cooperação que o Brasil tem com os países da África e da América Latina. São esses países que asseguram o transporte desses medicamentos para os seus respetivos governos ou organizações que lidam com a doença”, precisou.

Defendeu, por isso, que é preciso ter paciência e perceber cada ato, cada fenómeno e seu fundamento e lembrou que a gestão do apoio que o país vem recebido, no âmbito da prevenção e luta contra a Covid-19 na Guiné-Bissau, foi politizada, o que não ajuda nas campanhas de sensibilização para a prevenção da doença e que terá levado ao fracasso todos os esforços tanto das autoridades nacionais, das ONG´s, dos voluntários bem como de outras entidades envolvidas na luta contra a Covid-19.

ESPECIALISTA DEFENDE ENVOLVIMENTO DAS FORÇAS DA DEFESA E SEGURANÇA NA CAMPANHA DE SENSIBILIZAÇÃO

Em relação às novas estratégias, Plácido Cardoso defendeu mais sensibilização, mais e maior envolvimento das forças da defesa e segurança na campanha de sensibilização, porque será uma oportunidade para se reconciliarem com a população e resolver os problemas que têm havido, entre as partes, aquando da aplicação das anteriores medidas que culminaram na repressão policial contra os cidadãos. 

O médico frisou também que é necessário fazer um acompanhamento de perto da forma como os dados são geridos, sobretudo entre o pessoal de vigilância, as pessoas que acompanham os contatos, o processo de envio das amostras para o laboratório e a demora que se verifica na divulgação dos resultados, porque “tem as suas implicações na cadeia de transmissibilidade, quando as amostras de pessoas suspeitas não são testadas a tempo isso pode acelerar o contágio sem que se perceba”.

Neste sentido, pediu que o sistema seja transparente em relação à cadeia epidemiológica, descobrir que tipo de pessoas estão a ser contagiadas e tomar medidas proporcionais a esses fatos e dirigir uma intervenção mais cirúrgica a cada grupo alvo, comunidade ou cada faixa etária, bem como saber o modo de vida de cada um desses grupos.

Plácido Cardoso criticou o fenómeno de estigmatização das pessoas infetadas na sociedade guineense e a desobediência de certas pessoas confinadas em seguir as recomendações da Organização Mundial de Saúde e das autoridades sanitárias do país. Para Cardoso, as autoridades deveriam aproveitar um dos melhores elementos que o sistema nacional de saúde tem que é a boa relação entre as autoridades locais, tradicionais, religiosas e as entidades sanitárias do país.

Assegurou que não há motivos para se duvidar da fiabilidade dos kits de teste do Laboratório Nacional da Saúde Pública (LNSP) nem dos técnicos que lá trabalham. Sobre o laboratório, disse que tem capacidade para analisar as amostras e que é dos melhores que existe do mundo com PCR, instrumento exigido pela OMS para fazer as análises desta natureza.

Uma das preocupações levantadas durante a entrevista, por Plácido Cardos, tem a ver com o modo de convivência e de viver dos guineenses em que chagam a morar na mesma casa cerca de 40 membros de uma família, o que representa uma ameaça e risco para o aumento do nível de propagação da doença na Guiné-Bissau.

Finalmente, o médico apelou à população a colaborar e seguir as orientações das autoridades sanitárias nacionais, nomeadamente: o distanciamento social, evitar ajuntamentos, a lavagem das mãos com sabão, lixívia e outros desinfetantes e o uso obrigatório de máscaras.  


Por: Filomeno Sambú

Foto: A.S  

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