
A segunda vice-presidente do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Maria Odete Costa Semedo, criticou a passividade da Comunidade Internacional, em particular da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), perante o que chama de “violação dos direitos fundamentais dos cidadãos e a implementação do “terrorismo de Estado na Guiné-Bissau”.
Odete Semedo fez esta observação esta quarta-feira, 24 de junho de 2020, em conferência de imprensa em que o partido denunciou uma série de violações de direitos dos cidadãos, incluindo o suposto sequestro do deputado da APU-PDGB, Marciano Indi e a detenção do dirigente do PAIGC, o empresário Armando Correia Dias (Ndinho) por agentes da Polícia de Intervenção, supostamente por posse de armas de fogo de uso militar.
A dirigente do PAIGC frisou que os cidadãos guineenses estão a viver um momento de terror, de terrorismo de Estado, o que, na visão do partido libertador, revela que nenhum cidadão está seguro, porque estão a ser violados os direitos fundamentais, os cidadãos não podem circular livremente por temerem ser sequestrados, amarrados e jogados na água ou espancados, “atitudes que vão contra os dos direitos fundamentais do homem”.
Odete Semedo criticou a “inatividade” dos órgãos de soberania na resolução de o que qualifica de “muitas violações” no país e que afetam a vida da sociedade em geral, violações essas que incluem o suposto rapto do deputado da nação Marciano Indi, sem que o Ministério Público e o do Interior tivessem reagido.
“Será que é digno para um país livre, civilizado e que está no concerto das nações? Onde é que estava a comunidade internacional, a CEDEAO? “, questionou.
A segundo vice-presidente dos libertadores pediu, por isso, explicações a essas organizações internacionais sobre o que deve ser feito para a saída da passividade em que se encontra e questionou se estará disposta a reagir só depois de “derramamento de sangue na Guiné-Bissau”.
Odete Semedo denunciou que os militantes do seu partido estão a ser caçados que nem animais no mato e negou que em nenhum momento o PAIGC enfrentou desafios, sejam quais forem com pessoas encapuzadas. Avisou que jamais o partido permitiria que os seus dirigentes fossem lesados por quem quer fosse, por isso quando o partido foi atingido nas presidenciais de 29 de dezembro de 2019, recorreu à justiça para ver resolvidos os seus problemas, para dar exemplo de como é exercido o estado do direito democrático.
A segunda vice-presidente do PAIGC apelou aos deputados do partido com qual tem um pacto de incidência parlamentar de que é chegado o momento de manterem-se fiéis ao acordo derivado do programa eleitoral que criou confiança ao eleitorado para que hoje fossem deputados da nação.
“O dinheiro acaba, mas a dignidade e a liberdade de uma pessoa são inegociáveis”, precisou Odete Semedo na sua comunicação aos militantes do PAIGC.
Por: Filomeno Sambú