
A direção da AID, Health And Development, a entidade administradora que gere o hospital Raoul Follereau, considera ser “grave e ilegal” a atitude dos profissionais daquele centro de saúde especializado em tratamento da Tuberculose e acusou-os de nunca terem dirigido uma única carta a reclamar ou a protestar contra qualquer situação que justificasse a “triste atitude”.
A AHEAD diz ter ficado surpreendida com a informação em como trabalhadores do novo ingresso e alguns funcionários efetivos, em protesto pela melhoria de condições de trabalho, teriam encerrado, durante todo o dia de ontem, 21 de julho de 2020, o hospital e impedido os utentes e os colegas que não estavam em protesto o acesso às instalações do Hospital.
Segundo o comunicado da AHEAD, apesar de terem assumido na reunião com a Secretária de Estado da Gestão Hospitalar que cessariam as reivindicações, os funcionários em protesto quebraram o compromisso e voltaram a ocupar o lugar e acusou-os de terem mandado os pacientes para casa.
A AHEAD lamentou a atitude desses profissionais que considera ser “bastante grave e ilegal”, porque “nunca dirigiram uma única carta a reclamar ou protestar contra qualquer situação que justificasse a triste atitude”.
“Existem procedimentos que devem ser seguidos para decretar greves. Tratando-se de um hospital com aquelas características, a greve não deveria afetar o seu normal funcionamento”, frisou.
A organização considera serem falsas as “informações e calúnias” veiculadas nos meios de comunicação social pelos funcionários novo ingresso e alguns funcionários efetivos integrados do Hospital, justificando que a reivindicação tinha a ver com a melhoria das condições de trabalho, nomeadamente, a falta de máscaras, de luvas, a infiltração de água no telhado e torneiras avariadas.
“Raoul Follereau é o único Hospital do país em que os técnicos são obrigados ao uso permanentemente de máscaras e luvas durante o trabalho para se prevenir do possível contágio. Portanto, é falso que faltam máscaras e luvas no hospital, até porque o Ministério de Saúde fornece esses materiais através do Programa Nacional de Luta Contra a Tuberculose e a AHEAD compra-os no mercado sempre que necessário”, lê-se do documento.
No comunicado a que O Democrata teve acesso, a organização revelou que, decido à pandemia do Covid-19, a gestão do Hospital começou a registar constante desaparecimento de máscaras no curto espaço de tempo, “o que leva a crer que está relacionado com a necessidade sentida pelos trabalhadores de fornecer máscaras e materiais de higiene a familiares para se prevenirem do contágio, fato que levou a administração do Hospital a redobrar o controlo, passando a fornecer as máscaras e luvas estritamente necessárias”.
Em relação à infiltração de água no telhado e torneiras avariadas, a AHEAD informou que o hospital dispõe de uma equipa que se ocupa desses problemas a tempo integral, portanto “não há nada que justifique o alarmismo”.
O Hospital Raoul Follereau é gerido com base no Protocolo de Acordo celebrado entre o Governo da Guiné-Bissau e AHEAD, ao abrigo do qual compete ao Governo, através do MINSAP, indicar o pessoal a integrar a equipa técnica do Hospital e assegurar o pagamento dos salários dos mesmos. Dados estatísticos revelam que não existe nenhuma ligação entre esses trabalhadores e AHEAD.
“O que os impede de exigir o que quer que seja à AHEAD, quando muito poderiam apresentar as suas reclamações ao Governo que, por sua vez, na qualidade de parceiro, contactaria a AHEAD”, sublinhou o comunicado.
Entretanto, O Democrata apurou que as reivindicações foram suspensas, graças à intervenção da Secretária de Estado da Gestão Hospitalar, Cornélia Na Man. Porém, os funcionários alertaram que se os compromissos não forem honrados poderão retomá-la futuramente.
Por: Filomeno Sambú