
O Bastonário da Ordem de Jornalistas da Guiné-Bissau, António Nhaga, denunciou a existência daquela que considera uma “nova narrativa” de fazer com que os jornalistas tenham medo de ter acesso a fonte de informação, tendo assegurado que o vandalismo a Rádio Capital FM é prova da narração que está em curso contra os jornalistas guineenses.
Nhaga, que também é o Editor do Jornal O Democrata e professor universitário, fez esta denúncia na sua declaração aos jornalistas em reação ao assalto feito por homens fardados e armados com AK-47 às instalações da Rádio Capital FM, onde destruíram todos os equipamentos, impedindo que a rádio funcione nos próximos dias.
O bastonário disse que a classe vai pedir ao ministro da Justiça, que foi jornalista e cujo pelouroé responsável pela Polícia Judiciária (PJ), que exija a esta instituição da polícia quetraga uma resposta sobre os responsáveis este ato de vandalismo em duas semanas.
“Fernando Mendonça não pode ficar inativo. Foi jornalista. O ministro da justiça deve contribuir na investigação que pedimos que seja rápida. Não queremos discursos, mas coisas concretas” assegurou para de seguida reafirmar que “há uma narrativa que está a ser construída para o jornalismo guineense e fazer com que os jornalistas tenham medo de ter acesso a fonte de informação. Este é um exemplo, depois vai se avançar para silenciar a imprensa”, alertou.
SINJOTECS RESPONSABILIZA O ESTADO GUINEENSE

Para a presidente do Sindicato de Jornalistas e Técnicos da Comunicação Social (SINJOTECS), Indira Correia Baldé, o vandalismo a Rádio Capital é um atentado à liberdade de imprensa e de expressão, como também um atentado à democracia e àliberdade de exercício de jornalismo na Guiné-Bissau que o sindicato condena veementemente.
“Vamos continuar a lutar e que fique claro que não vamos baixar a guarda. Vamos fazer todas as lutas que acharmos necessárias. Estamos no mundo civilizado, se acontece alguma coisa que uma ou outra pessoa entende que infringe a lei, temos a obrigação de ativar os mecanismos para resolver essa situação e não mandar pessoas vandalizar”, frisou a jornalista.
Questionada se o sindicato já falou com o governo sobre as constantes ameaças aos jornalistas incluindo aos profissionais da Capital FM, Indira Correia Baldé respondeu que as ameaças proferidas contra os jornalistas guineenses foram relatadas as organizações parceiras do SINJOTECS.
A sindicalista responsabilizou o Estado guineense sobre o assalto àquela estação emissora privada, porque “cabe ao Estado garantir a segurança dos profissionais da comunicação social e dos órgãos bem como de todos os cidadãos”.
“Desafiamos a direção da Polícia Judiciária a trazer a luz do dia os responsáveis do ato. E queremos saber quem é o ator moral e material deste crime. Não podemos permitir atentados à liberdade de expressão e de imprensa, porque são as nossas vidas que estão em causa!”, Assegurou.
Salienta-se que a Capital FM é uma iniciativa lançada, em 2015, por um grupo de jornalistas liderados por Lassana Cassamá, atualmente correspondente da Voz de América no país.
Para além da estação em Bissau, o grupo Capital Média, dona da rádio, conta também com rádio comunitária na região de Gabú a “Leste FM” e um jornal online, a Capital News.
Por: Assana Sambú
Foto: A.S