ALUNOS VANDALIZAM CENTRO ESCOLAR “ATTADAMUN” E EXIGEM REALIZAÇÃO DE EXAMES EXTRAORDINÁRIOS

Alunos do Centro Escolar Attadamun vandalizaram, parcialmente, esta terça-feira, 08 de setembro de 2020, o Centro Attadamun em protesto contra a não realização dos exames extraordinários, que deveriam iniciar na segunda-feira, 07 de setembro. Os protestos foram iniciados ontem, mas intensificaram-se hoje, terça-feira, porque os professores do centro reclamam o pagamento de 50% de subsídios de três meses (março, abril e maio), conforme o acordado entre as partes, que incluí o Ministério da Educação. 

Esta manhã, um grupo de alunos do centro concentrou-se em frente ao portão principal da escola para exigir a realização dos exames e, em consequência, os alunos criaram distúrbios e invadiram a residência do diretor do centro. Poucas horas depois, o local foi invadido pela Polícia da Ordem Pública (POP) e de Intervenção Rápida (PIR), mas a resistência dos alunos foi persistente, acompanhada de palavras de ordem “a bala não nos mata, Deus é que nos mata!”, dizia um dos alunos em tom de revolta à polícia. A polícia, segundo uma fonte da associação dos alunos, teria sido contactada pelo diretor do centro, momentos depois da invasão.

“Arma fora, polícia fora!”, gritavam os alunos insistentemente em coro, em protesto à ordem para que abandonassem o centro.

Mais tarde alguns elementos do corpo diretivo da associação foram levados pela polícia numa viatura da PIR. 

Na sequência da intervenção da polícia, quatro alunos foram detidos. A rua que dá acesso ao jornal O Democrata ficou intransitável, por algum momento. Apenas os alunos do centro foram admitidos que ficassem nos arredores da escola ou circular nas proximidades.

Em declarações ao O Democrata, Issa Cassamá, secretário executivo da Associação dos alunos do Centro Escolar Attadamun, disse que se trata de um “choque” resultante do não pagamento de 50% de subsídios referentes aos meses de março, abril e maio. Sobre o assunto, segundo Issa Cassamá, teria sido assinado um documento, antes da retoma das aulas, entre o sindicato de base dos professores, a associação dos alunos e o Ministério da Educação para liquidar a dívida, o que teria permitido que os professores retomassem as aulas. 

Apenas o responsável do centro não assinou o documento, alegando que os “árabes trabalham apenas com a fé em Deus”, contou Cassamá, acusando a direção de ter agido com má fé neste processo.

“A direção da escola nunca se dignou a sentar-se à mesma mesa com os professores. Foi graças a nossa intervenção é que foi possível a retoma das aulas. O dinheiro do subsídio dos professores vem anualmente da Agência Ama Kuwait, portanto não havia motivos para não pagá-los”, assinalou.

O secretário executivo da associação acusou o responsável dos pais e encarregados da educação dos alunos, Aliu Cassamá, de falta de interesse na resolução da situação dos alunos do centro.

“Encontramo-nos apenas uma vez aqui, na segunda-feira, quando veio buscar a prova do seu filho. Chegou aqui com o sermão de que não deveríamos ter agido contra a direção sem que o consultássemos. Como podemos consultar uma pessoa que nunca tínhamos visto e que só se interessa pelo problema do seu filho, não do compromisso que assumiu”, questionou Issa Cassamá

O secretário executivo da associação dos alunos do centro Attadamun disse que os alunos estão determinados na sua luta e que não vão abandoná-la até que se realizem os exames extraextraordinários. 

Entretanto, uma equipa de reportagem do jornal O Democrata tentou contactar sem sucesso a direção do centro para que reagisse às acusações de que foi alvo da parte dos alunos da escola.


Por: Filomeno Sambú/ Noemi Nhanguan

Foto: F.S

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