
O ministro da Defesa Nacional, tenente general na reserva, Sandji Fati, foi ouvido no seu gabinete esta terça-feira, 15 de setembro de 2020, por agentes da brigada antidroga da Polícia Judiciária (PJ) para esclarecer a informação sobre a possível adulteração de 62 das 83 cápsulas apreendidas pela PJ, ao luso guineense Aliu Baldé, a 14 de março do ano em curso e confirmada, na altura, como sendo cocaína pura.
O Democrata apurou que na manhã de hoje, os agentes da PJ foram confirmar algumas informações avançadas pelo ex-diretor do serviço da Migração e Fronteiras, Coronel Alassana Djaló, detido no âmbito de um processo sob investigação da PJ, ligado ao tráfico de droga.
Na audição, informou que entregou as 83 cápsulas, íntegras, ao ministro da defesa nacional, que na altura estava a substituir o ministro do Interior, Botche Candé, nas suas funções, porque este encontrava-se em confinamento por causa do novo coronavírus (Covid-19).
“Alassana ficou com as 83 cápsulas de droga por três meses, mas disse na audição que depois dos três meses entregou-as todas ao ministro da defesa nacional, depois de ter sido pressionado por superiores que também estavam a ser pressionados pela PJ. Alassana diz ainda que três dias depois da entrega da droga ao ministro Sandji Fati, este chamou a PJ para devolver a droga” informou a fonte que, entretanto, frisou que o titular da pasta da defesa confirmou a receção da droga, mas esclareceu na audição que nem sequer ficou com as 83 cápsulas por 24 horas.
De acordo com informações apuradas, o ministro terá recebido as cápsulas numa tarde e no dia seguinte, às 10 horas, tê-las-á entregado aos agentes da Polícia Judiciária. Contudo, os elementos da PJ terão recusado recebe-las, sem as conferir previamente ou proceder ao teste para comprovar se eram as cápsulas apreendidas a 14 de março.
A fonte avançou que a PJ conferiu-as e corresponderiam às 83 apreendidas e comprovadas como contendo cocaína, mas no teste, constatou-se que 62 deram negativo e que 21 testaram positivo, ou seja, poderão ter sido adulteradas.
O antigo diretor da Emigração e Fronteiras, agora detido disse na audição que não sabe o que acontecera às cápsulas, mas confessou que entregou-as, íntegras, ao ministro da defesa, mas este por sua vez, disse à PJ que entregou-as como as recebeu do Coronel Alassana.
Entretanto, O Democrata soube ainda de outra fonte que no sábado, 11 de setembro, foi entregue à Polícia Judiciária um quilograma de droga (cocaína) apreendida pela polícia de investigação criminal do ministério do Interior, que no âmbito de uma investigação autônoma sobre o tráfico de droga, acabou por deter quatro cidadãos nacionais.
“Essas pessoas estavam a preparar-se para viajar com a droga para Portugal, mas foram detidas por agentes da Polícia de Investigação Criminal do ministério do Interior que, no quadro da relação institucional, entregaram a droga à Polícia Judiciária, que tem a competência de investigar crimes desta natureza”, contou a fonte, para de seguida acrescentar que os quatro nacionais detidos no sábado foram todos presentes ao juiz de instrução criminal para a efetivação das suas prisões preventivas, ontem (segunda-feira), 14 de setembro.
Por: Assana Sambú