POLÍCIA IMPEDE A MARCHA PACÍFICA CONVOCADA PELA UNTG

A marcha que deveria começar na chapa de Bissau até à sede da União Nacional dos Trabalhadores da Guiné (UNTG), para repudiar os novos impostos e subsídios destinados aos titulares dos órgãos da soberania e aprovados pelos deputados da nação, foi impedida pelas forças de segurança, por supostamente a UNTG não ter cumprido as formalidades previstas na lei de manifestação.

Como alternativa, a central sindical organizou  um comício em frente à sede da UNTG. 
No seu discurso, o secretário geral da UNTG, Júlio Mendonça, garantiu a continuidade da luta, sublinhando que o impedimento da marcha não lhes afeta.

Para Júlio Mendonça, a marcha visava manifestar os seus descontentamentos face à “desorganização do país e a exploração” do povo e dos trabalhadores em geral, anunciando “paralisações sistemáticas” na função pública, a partir da próxima semana.

Mendonça realçou a colaboração dos trabalhadores do setor privado nas suas reivindicações, que diz terem percebido da essência da luta e a exploração que o executivo pretende concretizar. 

“Estamos na mesma linha e vamos a partir de agora definir estratégias. Não vamos vender a nossa dignidade por migalhas, por dinheiro de sangue. É bom que cada trabalhador saiba que se não lutarmos, continuaremos a ter este tipo de governantes. A revolução começou desde 2016. O atual Presidente da República era primeiro ministro”.

Júlio Mendonça avisou que 2021 será o ano de greves, se o presidente da república não vetar os impostos e os subsídios introduzidos no Orçamento Geral de Estado (OGE) aprovado pelos deputados e desafia o setor privado a paralisar as suas atividades em protesto contra os “impostos inventados”.

“A Guiné Bissau não tem um poder político organizado. Por isso, estamos na cauda do desenvolvimento a nível da África. Somos um país rico. Temos condições para os funcionários serem dignificados, se não tivéssemos não introduziriam  esses impostos e subsídios” disse, anunciando que doravante as paralisações serão das terças a quintas-feiras e que os trabalhadores só vão trabalhar segunda e sexta-feira.

Dirigindo-se às forças de segurança, Júlio Mendonça aconselha-as a não cumprir “ordens ilegais”, porque a luta que estão a travar visa melhorar também a vida dos policiais”.

Por: Tiago Seide

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