
O Presidente da República da Guiné-Bissau, Úmaro Sissoco Embaló, disse hoje que recebeu a Embaixadora dos Estados Unidos de América nas Nações Unidas, Linda Thomas-Greenfield, a quem reafirmou a posição do país, que o antigo chefe das forças armadas, general António Indjai, não será extraditado em nenhuma circunstância para um julgamento nos Estados Unidos.
“A Constituição da Guiné-Bissau tem algumas semelhanças com a dos Estados Unidos. Perguntei à Embaixadora se o Afeganistão ou outro país poderia pedir a extradição do antigo presidente George Bush ou do antigo secretário de estado, General Colin Powell, respondeu-me que não. Então, disse-lhe a ela que é da mesma forma que o general António Indjai não pode ser extraditado para nenhum país”, assegurou.
Chefe de Estado guineense falava aos jornalistas em declarações, depois da sua chegada de Nova Iorque (Estados Unidos de América), onde participou na 76ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, que decorreu sob o lema: “Construindo resiliência da esperança para se recuperar da covid-19, reconstruir de forma sustentável, responder às necessidades do planeta, respeitar os direitos das pessoas e revitalizar as Nações Unidas”.
Embaló garantiu que nenhum guineense será extraditado ou tirado à força para julgamento noutra parte do mundo, acrescentando que qualquer cidadão guineense que tenha cometido algum crime pode ser julgado na Guiné-Bissau.
“Disse à Embaixadora que um bom amigo nunca deixará seu amigo nos momentos difíceis, mas os Estados Unidos deixaram a Guiné-Bissau. Temos aqui a Embaixada da China, Rússia e da França que são também membros permanentes do Conselho de Segurança, portanto a relação que temos com esses três países não será a mesma que aquela que temos com os Estados Unidos que não estão no nosso país”, notou, para de seguida afirmar que hoje há certas coisas que a Guiné-Bissau não pode admitir, enquanto um Estado, porque não existe o Estado pequeno.
Sobre as sanções impostas aos oficiais militares, explicou que na reunião mantida com os responsáveis do comité das sanções informaram-lhe que não tinham um interlocutor para debater o assunto, porque “passamos muito tempo com problemas internos, felizmente hoje a nossa ministra dos negócios estrangeiros está a reunir neste momento com a sua homóloga da Tunísia, que é a presidente do comité de sanções para a Guiné-Bissau”.
Revelou que abordou com o Secretário-geral das Nações Unidas a questão da manutenção da paz na qual as forças da defesa e segurança guineense poderão participar. Acrescentou que abordaram também a questão da Guiné-Conacri, tendo assegurado que continua a defender a posição do país condenando o golpe de Estado que afastou o presidente Alpha Condé do poder.
“A CEDEAO entende agora que a Guiné-Bissau hoje é vista como uma voz que está a crescer. Ontem éramos parte do problema, mas hoje somos parte da solução” assegurou, revelando ainda que foi solicitado pelo Secretário-geral para exercer a função do “Champeon”, ou seja, liderar a organização de uma conferência internacional que será apadrinhada pelo Catar.
Por: Assana Sambú