
O Assistente do Diretor Executivo da Rádio Capital FM, o jornalista Sabino Santos, admitiu que alguns funcionários do órgão privado estão abatidos na sequência do ataque perpetrado por homens armados contra aquela estação emissora, contudo, afirmou que a mobilização das pessoas à volta do projeto Rádio Capital não está abalada.
“Quem está ciente do valor do seu trabalho não pode estar assustado face ao comportamento de um grupo de pessoas mal-intencionadas. No global, o meu sentimento é que a “mobilização” das pessoas face ao projeto Rádio Capital não está abalada”, declarou a O Democrata.
Santos frisou que se houvesse as condições técnicas, depois do ataque à Rádio, as emissões da CFM prosseguiriam normalmente com a presença dos seus funcionários.
ASSALTANTES DESTRUÍRAM MATERIAIS E VANDALIZARAM O EDIFÍCIO COMO SE O PAÍS ESTIVESSE EM GUERRA
O jornalista e assistente do diretor executivo falava em entrevista a O Democrata, depois do ataque à estação emissora privada, localizada no bairro Militar, em Bissau, no passado dia 07 de fevereiro. A invasão resultou em cinco feridos, entre os quais a jornalista Maimuna Bari que se encontra em estado grave, e na vandalização completa da Rádio Capital e no saque de alguns materiais e da câmera de vigilância.
Segundo as explicações do Sabino Santos, após à invasão à CFM, o local foi visitado por diferentes estruturas de Estado guineense, com destaque para a Polícia Judiciária (PJ) e no final do dia a PJ e a Esquadra Modelo da Polícia da Ordem Pública do Bairro Militar concordaram em fechar as portas da estação emissora e abrir um processo de investigação.
O jornalista e apresentador do programa “Pontos nos iis” mostrou-se confiante que desta vez será feita a justiça no sentido de encontrar os responsáveis pela vandalização, pela segunda vez, da Rádio Capital FM.
“Continuamos a acreditar que as autoridades vão assumir a investigação do caso e vão tratá-lo com todos os pormenores necessários, com isenção, para que no fim seja conhecida a verdade sobre o caso “, disse.
Em relação ao posicionamento do Ministério do Interior, que horas depois do ataque transmitiu aos jornalistas que o ataque à Rádio Capital FM “era um ato isolado”, Santos mostrou-se desapontado com tais declarações, uma vez que o caso está sob alçada da investigação criminal.
Visivelmente revoltado com o sucedido, Santos transmitiu à reportagem de O Democrata que a liberdade de imprensa e de expressão está ameaçada na Guiné-Bissau. O jornalista criticou a forma como os assaltantes destruíram os materiais e vandalizaram o edifício como se o país estivesse em guerra.
“Tudo que está ligado à eletricidade foi distribuído por homens armados que invadiram a Rádio Capital naquele dia, nomeadamente, computadores, televisão, impressora, câmera de vigilância, entre outros”, descreveu.
Sabino Santos transmitiu que a equipa da CFM está determinada em continuar a fazer o seu trabalho, assim que for erguida a estação emissora privada guineense.
SINJOTECS: EXERCÍCIO DO JORNALISMO “LIVRE E INDEPENDENTE” ESTÁ FORTEMENTE AMEAÇADO
Em reação, a presidente do Sindicato de Jornalistas e Técnicos da Comunicação Social da Guiné-Bissau (SINJOTECS), Indira Correia Baldé, afirmou que após o ataque à Rádio Capital FM, o exercício do jornalismo “livre e independente” está fortemente ameaçado na Guiné-Bissau.
Correia Baldé revelou que existe uma campanha contra a “liberdade de imprensa” no país e pediu à comunidade internacional que dê a cara e que continue a acompanhar a Guiné-Bissau e os profissionais de comunicação social.
“A Guiné-Bissau é um país democrático e a base da democracia é a voz da sua população e esta população tem um único veículo, os órgãos de comunicação social”, notou, para de seguida acrescentar que ” hoje com a Rádio Capital, mas amanhã ninguém sabe o que vai acontecer”.
A também repórter do canal português na Guiné-Bissau, RTP-África, responsabilizou o Estado guineense pelo sucedido e lamentou o posicionamento do executivo, através do Ministro do Interior, sobre o caso.
“É o estado quem deve garantir a segurança a todos os cidadãos guineenses, e esse mesmo Estado vem-nos dizer que se tratava de um ato isolado. Isto estranha-me bastante. Ato isolado com armas do Estado?” perguntou.
“O Estado é a única entidade que possui aquelas armas utilizadas por homens armados para distribuir os equipamentos da Rádio Capital FM”, afirmou Correia Baldé.
A presidente do SINJOTECS, uma das organizações que defende a classe jornalística guineense, relembrou às autoridades que a instituição que dirige espera que as investigações sobre o caso cheguem ao fim, para que o responsável do ato seja conhecido.
“Somos os pilares da democracia e alicerce do estado de direito democrático, por isso exigimos a responsabilização, o respeito, a segurança e a proteção”.
Baldé afirmou que, com este clima de terror e de medo instalado no país, a vida de todos os profissionais de comunicação social está sob forte ameaça. Denunciou que recebeu ameaças de um grupo de jovens no bairro Militar no mesmo dia que a Rádio Capital FM foi atacada.
Esta é a segunda vez que a estação Capital FM é invadida e vandalizada por homens armados. O primeiro ataque aconteceu em julho de 2020, com o mesmo “modus operandi”.
SINPOPUCS QUALIFICA ATAQUE À RADIO CAPITAL COMO RESTRIÇÃO À LIBERDADE DE IMPRENSA
O Sindicato Nacional dos Profissionais dos Órgãos Públicos da Comunicação Social (SINPOPUCS) condenou “com veemência” o ataque à Rádio Capital FM e qualifica-o de uma clara tentativa de restringir a liberdade de imprensa, pondo em causa o estado de direito democrático na Guiné-Bissau.
Em nota entregue à redação de O Democrata, SINPOPUCS considerou “vergonhoso” este “ato que arruína a boa imagem do país”, do ponto de vista da liberdade de imprensa e dos direitos humanos.
A organização que congrega os funcionários dos órgãos estatais responsabilizou os assaltantes e os seus mandantes pelos danos materiais nas instalações da Rádio Capital FM.
“O sindicato exige às autoridades nacionais, enquanto responsáveis pela segurança e integridade física dos cidadãos, a pôr fim a estes tipos de ataques a um órgão de comunicação social e aguarda, desta vez, por um inquérito conclusivo que apure as circunstâncias da bárbara vandalização deste órgão de comunicação social privado”, refere a nota.
Por fim, SINPOPUCS expressou a sua solidariedade para a Direção da Rádio, extensiva a todos os seus funcionários.
Por: Alison Cabral
Casa caso é o caso, nas esse é de mais, quem de direito, desta vez, deve tirar tudo limpo – não é só finger invertigar e não fazer. Responsáveis ou mandantes e os autores materiais Todos, têm que ser responsabilisados, no estado de direito, cabe o governo garantir segurança de pessoas, convivência Pacifico, tranquiludade público e segurança de Todos os cidadões e bens.
Há muito Tempo o estado ou os nossos governantes fazem tudo em nome do estado que que não existe – Nós guineenses automobilizados, temos que unir os esforços e passar responsabilizar os nossos governantes – RCFM, o projetos dos jovens, não pode morrer, temos que erguê-lo novamente e desta vez entregar a segurança ao Governo.
Conclusão: atual governo é único responsável e tem que ser responsabilizado – Malam Gomes em Portugal