
O porta-voz do governo guineense disse esperar que a classe castrense interiorize e entenda que a mudança do regime faz-se com por via democrática, sufrágio universal, não com golpes de Estado.
“É uma mensagem que vem não só da nossa sub-região, mas também a comunidade internacional impõe e exige”, disse o porta-voz em alusão à chegada, à Guiné-Bissau , da primeira missão da componente militar da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) .
O também ministro do Turismo e Artesanato não avançou detalhes sobre quanto tempo a força permanecerá no país, indicando apenas que os pormenores desta missão serão definidos na cimeira, dos chefes de Estado Maior Gerais das Forças Armadas da organização a realizar-se em Acra no próximo mês de maio.
Fernando Vaz, que falava no âmbito do lançamento da campanha de vacinação contra a poliomielite, sustentou que a CEDEAO decidiu enviar forças de interposição, de paz e de estabilização para o Mali, a Guiné-Conacri e a Guiné-Bissau, “onde o golpe falhou”, tendo em conta a conjuntura que se verifica na sub-região.
“Temos a consciência que a vinda dessa força não é um assunto de consenso, é fraturante a nível das opiniões. Mesmo dentro do governo temos várias opiniões, porque muita gente continua a defender que as nossas forças armadas estão em condições para garantir a paz e a estabilidade, alguns pensam ao contrário e outros nem sequer opinião têm”, afirmou.
De 2012 a 2020, a Guiné-Bissau teve outra missão militar da CEDEAO, uma força da interposição, a ECOMIB, que o próprio chefe de Estado, Umaro Sissoco Embaló, face ao que avaliou como “progressos no funcionamento das instituições” guineenses, defendeu que já não seria necessária a sua continuidade no país e os chefes de Estado e de Governo da CEDEAO acabaram por decidir, a seu pedido na cimeira de Niamey no Níger, retirar a ECOMIB da Guiné-Bissau.
O mundo celebra no próximo dia 3 de maio, dia mundial da imprensa. Sobre o assunto e em análise às atividades dos profissionais de comunicação do país, Fernando Vaz reconheceu que tem havido avanços e recuos no exercício da profissão de jornalista na Guiné-Bissau.
Contudo, nega que tenha havido um documento, despacho ou decreto-lei que tenha obstaculizado a atividade da imprensa na Guiné-Bissau.
Por: Filomeno Sambú/Epifania Mendonça
Foto: E.M