
O Porta-voz dos Técnicos envolvidos no Combate à Covid-19 do Centro de acolhimento do Hospital Nacional Simão Mendes (HNSM), Adimilson Mendes, denunciou que, devido à rotura de medicamentos no centro de tratamento da Covid-19, os pacientes recorrem às farmácias externas para a compra de medicamentos.
Segundo Adimilson Mendes, “o centro de acolhimento de pacientes e suspeitos de covid-19 depara-se com insuficiência de oxigénio”.
Para além da insuficiência de oxigénio, Adimilson Mendes relatou a falta de materiais de proteção e de trabalho para os técnicos, bem como de medicamentos necessários para pacientes que agora são obrigados a tirar, do próprio bolso dinheiro para a compra de medicamentos, que eram assegurados pelo próprio centro gratuitamente.
Em entrevista ao jornal O Democrata, o ativista frisou que os técnicos afetos ao centro não recebem há oito meses os seus subsídios, razão pela qual ameaçam paralisar todos os serviços de 27 de junho a 06 de julho.
A paralisação poderá afetar apenas os servidores do centro do hospital Nacional Simão Mendes, contudo, assegurou que estão disponíveis às negociações com o patronato.
“Há coisas que não constituíam nenhuma preocupação, mas ultimamente temos tido falta de quase tudo no centro. Agora prescrevemos receitas a grande número de pacientes para que os familiares comprem os medicamentos”, disse.
As ameaças do coletivo foram feitas na sequência de falta de uma resposta que pudesse esclarecer as dúvidas que existem e a situação dos subsídios de oito meses (de novembro de 2021 a maio de 2022) dos técnicos envolvidos no combate à Covid-19.
Na ocasião disse que recorreram durante os oito meses (de novembro a maio) ao diálogo, mas que, não foram atendidas as suas preocupações.
“Nunca nos apresentaram uma única solução, apenas promessas que jamais foram honradas”, criticou.
“Já esgotamos todos os mecanismos na busca do consenso. Apenas colocamos a nossa vida em risco”, disse, para de seguida lembrar ao Alto Comissariado que no centro não se limitam a dar a assistência aos pacientes com covid-19, como também lidam com pessoas que padecem de insuficiência respiratória e de doenças de grandes risco de contágio.
Apesar das ameaças, assegurou que “os técnicos continuam a assegurar o funcionamento normal do centro, embora o Alto Comissariado para a Covid-19 tenha contraído dívidas”.
Revelou que o centro conta com mais de setenta técnicos, todos estão com oito meses de subsídios em atraso.
Dados clínicos indicam que atualmente estão hospitalizados no centro 12 pacientes, oito deles em estado grave.
ALTO COMISSARIADO ADMITE DIFICULDADES LOGÍSTICAS NO COMBATE À CONVID-15

Ouvido pelo semanário, à margem das denúncias feitas pelos técnicos do centro de covid-19 do hospital Simão Mendes, o Alto Comissariado para Covid-19, Tumane Baldé admitiu existirem dificuldades em fazer funcionar os centros de tratamento da Covid-19.
Tumane Baldé disse ao jornal O Democrata que a situação agravou-se mais com a crise económica internacional, tendo anunciado o fecho de todos os outros centros, apenas ficará a funcionar o do hospital Nacional Simão Mendes.
“Estão em curso as diligências para o pagamento dos técnicos”, afirmou.
“Herdamos o Alto Comissariado com 7 meses de dívidas. Estamos a organizar os dados financeiros das estruturas sanitárias, uma das razões que provocou atrasos no pagamento dos subsídios aos técnicos”, explicou.
Relativamente à falta de medicamentos e outros meios de proteção, esclareceu que, devido à conjuntura socioeconómica mundial, muitos países, incluindo a Guiné-Bissau, tem tido dificuldades em adquirir medicamentos.
“A crise internacional tem dificultado a aquisição dos medicamentos e outros produtos para lutar contra o coronavírus no país”, precisou e revelou que havia sido delineado um plano nesse sentido mas que foi alterado, devido à crise social e económica que o mundo enfrenta, que levou ao aumentos dos preços dos combustíveis e outros bens essenciais.
“Por exemplo, antes para transportar um contentor de medicamentos da Holanda para aqui gastávamos três mil euros, agora oito mil euros. Por isso, estamos a trabalhar para rever os preços”, salientou.
O Alto Comissariado alertou ainda que a situação poderá agravar-se, por isso pediu a adesão da população à vacina, inclusive dos técnicos de saúde, garantido que “há disponibilidade suficiente de vacinas”.
“Vamos reprogramar todas as estratégias de luta contra covid-19, desde a redução dos internamentos e fecho de centros, com exceção do Simão Mendes, e, consequentemente, dos técnicos de forma a concentrar esforços, devido às dificuldades logísticas e porque também reduziram-se as novas infeções e internamentos”, anunciou.
Revelou que uma das estratégias do Alto Comissariado face ao combate à Covid-19,tendo em conta as dificuldades financeiras que enfrenta, será exigir a apresentação de cartões de vacina nos locais de trabalho, bem como nas saídas para o exterior, de forma a incentivar a adesão à vacinação.
Questionado sobre a terceira dose, Tumane Baldé confirma que a terceira dose será administrada no país, porque “a Guiné-Bissau já recebeu as duas primeiras doses, a Sinopharm e AstraZeneca”.
Os dados divulgados nas últimas semanas revelam que atualmente a Guiné-Bissau tem um total de 8.346 casos acumulados, dos quais 8.105 recuperados, 171 óbitos por covid-19, 06 óbitos com Covid-19 e 64 ativos.
Por: Epifânia Mendonça
Foto: E.M