Diretor do Centro de Orizícola de Contuboel:  “INVASÃO DE PRAGAS  AOS CAMPOS AGRÍCOLAS É UM DESASTRE”

O diretor do Centro Orizícola do setor de Contuboel, região de Bafatá, leste do país, afirmou que os prejuízos derivados da invasão de pragas aos campos agrícolas é “um desastre”, por falta de produtos para a prevenção contra as pragas.

José da Silva admitiu que o centro de Contuboel também sofreu prejuízos, mas graças à intervenção da delegacia regional da agricultura conseguiu antecipar e prevenir-se do ataque das pragas e avançou que a previsão para este ano era de 30 toneladas, mas de acordo com os indicadores essa previsão poderá descer para 20 ou 15 toneladas.

“Com o apoio da direção da proteção vegetal de Bissau, que enviou os produtos a tempo, o centro conseguiu antecipar-se do ataque das pragas, mas nos campos agrícolas das populações é um desastre”, precisou e admitiu que houve baixa de produção, porque “choveu muito e facilitou a invasão das pragas”.

O diretor do centro fez essa afirmação no âmbito da visita (15.11.2022) do ministro da Agricultura   e Desenvolvimento Rural ao centro Orizícola de Contuboel, para se inteirar dos trabalhos que os técnicos estão a desenvolver e quais as perspectivas para os próximos anos.

Informou que no total o centro de tem 37 hectares, mas conseguiu explorar apenas 10 por causa de fatores naturais, nomeadamente as chuvas, e a previsão para este ano é de 20 toneladas de produção.

“Podemos admitir que choveu normal este ano. No quadro do projeto PDCV PACVEAR, o perímetro do campo será reparado e construiremos canais em betão para travar a perda da água de irrigação na época seca. Na época das chuvas, com fortes chuvas, os canais não conseguem evacuar facilmente a água, por isso registamos alguma perda em algumas parcelas”.

Em 2021, a China ofereceu uma máquina de corte do arroz (debulhadora) ao centro com capacidade de armazenar, quando cheio, catorze sacos e meio de cinquenta quilogramas de arroz.

“Agora tudo ficou mais fácil, porque com essa máquina, em duas ou três horas podemos ceifar toda a área. Antes, o centro despendia muito do dinheiro para conseguir mão de obra e muito pouco trabalho.  O que fazemos é produzir sementes de qualidade para a população, porque não se pode falar de autossuficiência alimentar da população sem garantir sementes de qualidade, não. É claro uma parte da produção é vendida para autossustentar o projeto”, salientou.

José da Silva afirmou que um dos desafios do INPA é produzir muito e colocar o arroz no mercado para o consumo da população, mas não tem condições financeiras para fazer grandes produções.

“Todo o trabalho desenvolvido cá foi com o esforço interno dos técnicos. Neste momento não temos sacos para colocar o arroz, nem combustível para pôr a máquina a trabalhar mais tempo no campo. Produzimos e colocamos o produto no meio camponês e uma parte vendemos às ONG´s ou aos produtores privados para nos autossustentar”, referiu.

O centro, que funciona como um braço do Instituto Nacional da Pesquisa Agrária (INPA), tem atualmente seis técnicos, dois dos quais mulheres, uma analista do laboratório de solo e sanidade vegetal e outra analista do laboratório de sementes.

Os técnicos interpelados pelo jornal O Democrata, confessaram que a produção é rentável mais no período da seca, porque na época das chuvas a produção depende de vários fatores.

O centro tem também campo de ensaios de sementes antes de serem replicadas em campos de sementes.

BOTCHE CANDÉ PEDE MAIS TEMPO A SISSOCO EMBALÓ PARA PROVAR QUE TEM OUTRAS VALÊNCIAS

Em reação ao que viu no campo agrícola de orizícola de Contuboel, o ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural, pediu ao chefe de Estado, Umaro Sissoco Embaló, para lhe dar mais tempo na nova pasta para provar que é um dirigente transversal e tem outras valências.

Botche Candé anunciou que vai apoiar os técnicos locais para que passem a produzir três vezes ao ano, bem como vai criar um campo agrícola do próprio ministério com milhares de hectares para   acabar com a fome na Guiné-Bissau.

O governante garantiu aos técnicos do ministério que vai continuar a desenvolver todos os projetos dos seus antecessores que já estavam em execução. 

Por: Filomeno Sambú

Foto: F.S     

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *