
Os Media não têm tido a função pública de socialização dos cidadãos que vivem e trabalham na sociedade contemporânea da Guiné-Bissau. Ou seja, não têm tido, nos seus programas, o objetivo essencial de trabalhar a informação atempadamente a favor do interesse público dos cidadãos que vivem no nosso país. Nos outros países africanos democráticos, os Media têm, nos seus programas, a função da socialização pública dos cidadãos para contribuírem na redução de processos burocráticos que podem desembocar no clientelismo político e na corrupção económica e financeira.
Ao assumir as funções de socialização dos cidadãos, os Media permitem que a ação de gestão governativa seja feita em consonância com interesses da população na esfera pública nacional.
Ou seja, os Media ajudam os governantes a criarem estratégias para alcançarem os objetivos concretos, melhorarem a definição das metas e os indicadores da tomada de decisões na promoção de políticas públicas na esfera pública de um Estado de Direito democrático.
A função de socialização dos cidadãos guineenses através dos Media nacionais poderá acabar com os boatos e as desinformações que alimentam as tensões politicas e espancamentos na esfera pública.
Qualquer comunicólogo guineense que tenha uma clara visão e uma consciência jornalística sabe que as tensões políticas que acontecem no nosso país têm muito a ver com o fato de maioria dos guineenses viver num contexto muito limitado de acesso à informação.
São privados da possibilidade de confirmar as notícias que consomem. Esta é uma das razões pela qual rumores sem fundamentos se propagam amplamente no nosso mercado de ideias sem poderem ser desmentidas.
Mesmo quando são perceções completamente erradas, nunca desaparecem por completo na nossa esfera pública.
São as reações individuais e coletivas sobre essas notícias falsas, especialmente, as notícias de carater ameaçadoras que poderão um dia desencadear um ciclo de violência na nossa esfera pública nacional. Os políticos oportunistas e empresários da Comunicação Social podem insurgir-se contra pretensas ofensas dos seus inimigos imaginários para mobilizar o apoio popular ao serviço dos seus próprios interesses provocando a polarização que pretendem na esfera pública e na nossa sociedade.
Sem os Media assumirem a função de socialização do cidadão, a Guiné-Bissau e a sua população serão sempre privadas de informação que precisam para avaliarem corretamente as causas dos problemas sociais, políticos e económicos com que se defrontam atualmente como um Estado de Direito Democrático Social.
A instabilidade política, a insegurança pessoal, as doenças e as pobrezas persistentes na Guiné-Bissau são apenas algumas das consequências mais palpáveis e nocivas dos rumores da desinformação, das insuficiências e da falta de profissionalismo dos meios de Comunicação Social do nosso país.
As fragilidades das redes dos Media nacionais na sua função de socialização pública dos cidadãos colocam todo o sistema político num autêntico estado de instabilidade.
Os Media nacionais devem, na sua função de socialização de cidadão, facultar os guineenses vulneráveis de informação correta no momento certo. Seria uma forma de capacitar a população e permitir-lhe tomar decisões mais corretas para si próprias e para as suas famílias.
O objetivo do sistema dos Media na socialização dos cidadãos na Guiné-Bissau consiste em publicar na esfera pública guineense informações baseadas em fatos que ajudarão os funcionários do governo, a sociedade civil e o público em geral no esforço de encontrar soluções adequadas para os problemas comuns.
Os nossos Media continuarão a ser incipientes e os seus jornalistas serão vistos como uma ameaça à estabilidade política e a segurança dos cidadãos nacionais bem como a todos os que vivem e trabalham na Guiné-Bissau.
Quando os nossos sistemas dos Media tiverem a possibilidade de socializar de forma livre e responsável, os cidadãos nacionais estarão em condições de estabelecer um diálogo público, de forma aberta e honesta, sobre os problemas que todos defrontamos na nossa sociedade. Pois, a estabilidade política e a democracia do nosso país dependem da capacidade dos nossos sistemas dos Media em transmitir as informações atempadamente e fidedignas no nosso mercado de ideia nacional.
Os nossos sistemas dos Media reforçarão a nossa estabilidade económica e promoverão a responsabilidade pública e a transparência na esfera pública nacional se conseguirem socializar os cidadãos nacionais. A função pública de socialização dos cidadãos guineenses impedirá os políticos governantes de bloquear as informações de interesse público no mercado de ideia nacional.
Por: António Nhaga
Diretor-Geral
E-mail: angloria.nhaga@gmail.com