
O vice-presidente para a Defesa Nacional, Administração Interna, Poder Local e Ordenamento do Território do Partido da Renovação Social, Mário Siano Fambé, anunciou para breve a convocação da Comissão Política Nacional para discutir problemas internos do PRS e resolver divergências para que possam sair reforçados em direção à busca do mais importante que é o poder.
Mário Fambé falava esta terça-feira 3 de outubro de 2023, no ato de posse de novos responsáveis das estruturas de massa do partido, nomeadamente da Presidente da Organização das Mulheres da Renovação Social (OMRS), Elisabete Nhama Monteiro Ialá, e do Presidente da Juventude da Renovação Social (JRS), Uffé Vieira Gomes da Silva.
O dirigente dos Renovadores pediu calma e entendimento mútuo no seio do partido, por o atual momento ser sério.
“Sentimos uma temperatura dentro do partido, mas devemos criar espaços para discutirmos. Os nossos assuntos internos não devem sair. Não estamos todos satisfeitos, inclusive eu, mas o que podemos fazer?! O destino quis que assim seja. Valorizemo-nos. Ninguém vai comparar-nos, muito menos pedir-nos por emprestado para fazer o que lhe apetece. Por mais que a situação seja difícil, devemos preservar o nosso caráter e bom nome” apelou, alertando aos militantes e dirigentes do PRS a não se venderem por barato.
Mário Fambé instou os renovadores a não permitirem que alguém lance mão invisível dentro do partido, estragando-o para depois não terem onde se acomodar.
“Vamos ser condenados e é uma pena capital. Há aqueles militantes que participaram na fundação do partido desde 1992, mas até hoje não beneficiaram em nada do partido, e estas pessoas estão a espera de uma oportunidade. Portanto, quem estiver cansado que vá embora. A poeira está a soprar, mas vai passar. Temos que estar preparados para os próximos desafios, sem insultos nas redes sociais. Vamos arranjar o espaço para conversamos e resolver os nossos problemas” insistiu, reconhecendo que os militantes e dirigentes do partido estão a chorar porque houve redução de mandatos de deputados.
“Saímos de 21 para 12. Ainda não foi curada essa ferida nem nos reanimamos, estamos a criar mais um problema no nosso meio. É lamentável. Não queremos que isso aconteça. Pedimos bom senso de todos. Compreendemos que as pessoas estão com raiva, porque não foram para o governo, não foram nomeadas, e/ou foram exonerados. É por isso que lutamos para sermos donos do poder [ganhar as eleições legislativas], mas Deus disse que não é a nossa vez. Disse-nos: vou dar-vos o poder da próxima vez, tal como fiz em 1999. E se isso é verdade, então entendamo-nos. Aqueles que foram nomeados são aqueles que Deus disse que a vez é deles. Aqueles que não foram que esperem tal como fizeram outras pessoas no passado” afirmou.
“Outras pessoas foram duas, três, quatro e cinco vezes ao governo mas querem continuar sempre a ir ao executivo. Não podes dizer a essas pessoas para darem oportunidades a outras, não aceitariam, criariam confusões. Entendamo- nos. Deixemo-nos de nos atacar mutuamente. Devemos conversar para superar os nossos problemas. Querem-nos ver em puxa- puxa para poderem meter a gasolina e complicar ainda mais os nossos problemas. Não pode ser. Vamos chamar todos os descontentes para conversamos, um de cada vez” disse Mário Fambé.
O vice-presidente do PRS mostrou-se insatisfeito com as declarações do Presidente da República, Umaro SissocoEmbaló, lembrando que o partido trabalhou para fazer-lhe chegar ao poder.
“É preciso que ele evite certas coisas. Ao regressar ao país da Assembleia geral da ONU, o presidente disse que o PRS é uma equipa de futebol, quem quiser pode ir procurar os jogadores para a sua equipa. Essa conversa tocou-me, porque o PRS é uma instituição que decide em busca de alguma coisa e é, por isso, que o apoiou para ser Presidente da República. Hoje, compra-se jogadores que quiser para o seu plantel, é o que ele quer-nos informar. Ouvimos bem a mensagem” disse, convidando os dirigentes e militantes a interpretarem muito bem a mensagem do chefe de Estado, porque estão a vender-se muito barato.
“Se ele não nos pode dar apoio que nos deixe e que deixe de nos ferir. É preciso que haja paz e estabilidade. Mas para que isso aconteça é necessário que haja reconhecimento e respeito. Deixemo-nos de ferir uns aos outros. Deixemo-nos de jogar uns contra outros porque temos força” alertou.
Aos empossados, Mário Siano Fambé pediu colaboração, entendimento, coabitação, diálogo permanente e relacionamento são, tendo apelado às estruturas de massa do PRS a acompanharem o partido em todas as ações.
Por fim, o vice-presidente do PRS apelou ao governo a priorizar a diáspora guineense em Portugal e que este trabalhe para que os cidadãos nacionais com carta de condução da Guiné-Bissau possam conduzir naquele país, assim como que o executivo resolva os problemas de obtenção de registo criminal para os guineenses residentes no estrangeiro.
Por: Tiago Seide