Diretor geral do INEP: “INVESTIGAÇÃO CIENTÍFICA NA GUINÉ-BISSAU NÃO ESTÁ NO SEU BOM MOMENTO”

O diretor geral do Instituto Nacional de Pesquisa (INEP), João Paulo Pinto Có, afirmou que o estado de investigação científica na Guiné-Bissau não está no seu bom momento.

O investigador associado do INEP apontou a situação política, económica e social que a Guiné-Bissau vive como um dos fatores da quebra que se registou na dinâmica da instituição no capítulo de investigação científica e a falta de investimento na ciência pelo ministério da educação e ensino superior.

João Paulo Pinto Có falava esta quinta-feira, 14 de dezembro de 2023, em declarações aos jornalistas, depois da abertura dos trabalhos de dois dias do congresso Bissau-Guineense de colaborações transformadoras da pesquisa, que se realiza no quadro das comemorações do trigésimo nono aniversário da criação do INEP, assinalado a 10 de novembro.

O evento conta com a participação da Universidade Federal de São Paulo, Brasil e da Universidade de Bristol, Inglaterra.

A iniciativa visa unir os pesquisadores nacionais e internacionais, os reitores e diretores das instituições de ensino e pesquisa, para comemorar o aniversário do INEP e elaborar uma perspetiva compartilhada para o futuro da investigação na Guiné-Bissau.

O investigador revelou que investigadores, professores, estudantes e aspirantes à investigação pararam de produzir e divulgar conhecimento, porque “a investigação científica na Guiné-Bissau não está no seu bom momento”.

João Paulo Pinto Có realçou a necessidade de apoio financeiro do Estado para permitir que o INEP possa cumprir o seu papel, a sua missão e função social enquanto uma casa de produção de conhecimento.           

“O momento de reflexão sobre o estado de investigação científica na Guiné-Bissau e no continente africano”, advertiu, para de seguida sublinhar que o evento permitirá dar o espaço aos jovens investigadores guineenses que terminaram seus cursos de pós-graduação recentemente, com especialização em filosofias e culturas africanas, a apresentarem os resultados das suas pesquisas.

João Paulo Pinto Có realçou que o momento também permitirá não só a discussão da carta africana, como o resgate das ciências sociais ou de humanidades na perspetiva da África, celebrar assinaturas de cooperação entre o INEP e instituições estrangeiras.

“Este evento tem um carácter que nos permitirá pensar asciências a partir da produção científica, em lógica na mente, a partir do saber africano”, enfatizou.

Segundo o diretor geral do Instituto Nacional de Estados e Pesquisa, o momento deve ser encarado como um espaço do despertar de consciências de todos os guineenses interessados na investigação científica e que entendem que a ciência poderá ser aliada ao desenvolvimento e ao bem-estar social do país, porque “ é preciso que  haja realmente uma atenção especial à produção científica no país”.

João Paulo Pinto Có informou que no encontro com a Universidade Federal de São Paulo e com a Universidade de Bristol devem ser discutidos planos e estratégias de como essas instituições podem andar de mãos dadas em nome da ciência, em prol da investigação científica e do progresso da ciência na Guiné-Bissau e na África.         

Informou que, apesar de a Guiné-Bissau estar a ter problemas relacionados com publicações, principalmente da “revista Soronda”, um dos principais veículos de promoção e difusão de conhecimento do país, que também não está a publicar há   algum um tempo, “há uma resiliência dos investigadores guineenses que continuam a produzir, a divulgar e a publicar conhecimento através de outras plataformas a nível internacional”.

Por: Carolina Djemé

Author: O DEMOCRATA

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