Editorial: ICONICIDADE POLÍTICA MATA DEMOCRACIA NA GUINÉ-BISSAU

A iconicidade política assassinou, há muito tempo, a democracia multipartidária na Guiné-Bissau. 

Na verdade, todos os políticos guineenses são icónicos. Não há nenhum que procure, pelo menos estabelecer,na esfera pública nacional, uma relação indicial com a população eleitora. Todos rimam por uma relação simbólica e icónica. Esquecem que o património importante de um político é a credibilidade, que transforma todos os seus discursos em ações legais e legítimas perante o povo.

Todos os lideres dos partidos políticos nacionais vivem da iconicidade política. Os seus discursos parecem, assemelham-se às narrativas político discursivascontemporâneas da democracia multipartidária, mas não são. Infelizmente são narrativas discursivas icónicas que mataram, há muito tempo, a democracia multipartidária na Guiné-Bissau.

Infelizmente não só matou a democracia multipartidária na Guiné-Bissau, como também deixou a imprensa e os jornalistas sem a função de socialização dos cidadãos. O que torna cada vez mais o mercado de ideia nacional mais icónico. O que torna também os jovens guineenses cada vez mais propícios à iconicidade discursiva dos políticos que os jornalistas e a imprensa popular espalham pelo território todo.

Uma das queixas que ouvimos bastante, quase em toda Guiné-Bissau, é que os ministros dos sucessivos governos não respondem às expetativas dos jornalistas como uma ferramenta de divulgação das ações dos agentes públicos. Os jornalistas deveriam ter a responsabilidade de apresentar as informações de utilidade pública para cumprir a função de prestações de contas. 

O que permitiria a mudança de comportamento do cidadão em relação à cobrança dos serviços prestados pelos ministros dos sucessivos governos da Guiné-Bissau. A cobrança da prestação de serviço público por um governante não deve ser confundida com as relações de militância partidária. A cobrança de prestação de contas pela população eleitora é uma legitimidade da vontade popular adquirida nas urnas.

Os jornalistas como detentores das funções de socialização dos cidadãos deveriam contribuir para estabelecer, no mercado de ideia nacional, a legalização da cobrança de prestação de contas na esfera pública nacional. Para legitimar a sua função de socialização dos cidadãos nacionais na prestação de contas, os jornalistas deveriam interessarem-se mais pela transformação em notícias, todas as informações de interesse público e não as informações de interesse particular dos ministros.

A transformação de uma informação de interesses particulares do público numa informação de interesse público estabelece apenas uma relação profundamente icónica de entre os atores no espaço público. Numarelação de iconicidade governativa, não existe uma comunicação responsável nem bem estruturada. É uma resposta feitas para o consumo dos cidadãos. Na verdade, os nossos governantes vivem e alimentam-se mais de narrativas discursivas de iconicidadegovernativa. Pois, não existem, na estrutura governamental, as pessoas que pensam no que dizer e aquelas que divulgam as mensagens nos diferentes Media tradicionais e socais que existem no espaço público.

A imprensa não pode ser, na Guiné-Bissau, uma ferramenta de divulgação das ações dos agentes públicos e da responsabilidade da apresentação deinformações de utilidade pública que assumam a função de prestação de contas. Pois, não há formuladores da política de Comunicação Social que possam entender as implicações de narrativas discursivas icónicas que afetam as relações legítimas de jornalistas com o seu público na produção de uma notícia.

Os jornalistas deveriam ser reconhecidos como uma peça essencial que estabelece uma relação indicial com as autoridades governamentais. É a imprensa que deveria ajudar, na sua função de socialização do cidadão, o estabelecimento, na esfera pública nacional, de uma cultura de prestação de contas.

Edição número 551/ Ano XII, de 28 de dezembro de 2023

Por: 

António Nhaga

Diretor Geral

angloria.nhaga@gmail.com

Author: O DEMOCRATA

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