Seleção nacional: BOA MORTE E JOGADORES ENFRENTAM “ONDA”DE CONTESTAÇÕES DEPOIS DE SETE JOGOS SEM VENCER

As mais recentes derrotas da Seleção de Futebol da Guiné-Bissau frente às seleções da Serra Leoa e Burkina Faso da zona africana de qualificação para o Campeonato do Mundo 2026 mergulhou o país em crise de resultados e aumentou a resolva dos adeptos guineenses, levando mesmo o selecionador Nacional, Luís Boa Morte e alguns jogadores a enfrentar uma “onda” de contestação no Estádio 24 de setembro em Bissau e nas redes sociais pelos amantes de futebol.

Os “Djurtus”, que procuram marcar presença pela primeira vez no mundial, perderam seis pontos nas ultimas duas jornadas nos dias 20 e 24 de março, diante de Serra Leoa e Burkina Faso e começa a comprometer a sua presença neste maior torneio de futebol a realizar-se nos EUA, México e Canada no próximo ano.

Depois de falhar no mês de novembro último o apuramento consecutivo para a fase final do Campeonato Africano das Nações (CAN’2025), a realizar-se em Marrocos, que era o principal objetivo da equipa técnica, a Guiné-Bissau dificilmente conseguirá estar presente no mundial, embora matematicamente tenha para disputar 12 pontos na fase de qualificação desta prova organizada pela FIFA, entidade que gere o futebol mundial.

Após a Guiné-Bissau não ter conseguido apurar-se para fase seguinte nas últimas quatro edições dafase final do CAN, nomeadamente em 2017, 2019, 2021 e 2023, sob liderança de Baciro Candé, a Federação de Futebol da Guiné-Bissau (FFGB), liderado pro Carlos Mendes Teixeira “Caíto”decidiu dar novo impulso à Seleção Nacional, apostando numa nova equipa técnica comandado pelo luso-são tomense Luís Boa Morte, antigo jogador do Sporting Clube de Portugal.

Embora na altura da sua contratação vários observadores e comentadores desportivos estivessem com reservas, uma vez que seria a primeira experiência de Boa Morte como treinador principal, os guineenses congratularam-se, na altura, com a decisão da FFGB, passado um ano a frente da Seleção Nacional, o técnico luso-são tomense não conseguiu trazer a tão almejada mudança que os guineenses estavam a exigir dos Djurtus.

Em 10 jogos oficiais realizados na caminhada para o CAN’2025 e o Campeonato do Mundo 2026, Boa Morte somente conseguiu uma vitória diante do Eswatini, graças ao golo de Bura, acabando por somar 5 derrotas e 4 empates, mergulhando a Guiné-Bissau na crise de resultados desportivos. 

Para além das criticas em relação ao quadro negro dos resultados, os adeptos não gostam da forma que a seleção nacional joga e a presença de alguns jogadores na lista dos convocados divulgados frequentemente pela equipa técnica. Foram visíveis nas redes sociais as criticas ao selecionador nacional, Boa Morte, aos jogadores Alfa Semedo, Sambinha, Sori Mané, Vitor Rofino, Gilberto Batista e entre outros atletas.

Passando um ano a frente da Seleção Nacional, Boa Morte não conseguiu formar uma equipa base da Guiné-Bissau. Em todos os 10 jogos oficiais que realizou entrou com 11 jogadores diferentes em cada partida, somente o guardião, Manuel Baldé, que conseguiu realizar maior numero de jogos. 

Com os resultados negativos e fracos desempenhoda Seleção Nacional, os adeptos exigem a FFGB a rápida mudança na estrutura técnica dos Djurtus, depois da derrota diante de Burkina Faso ontem, 24 de março no Estádio Nacional em Bissau.Apesar de a Guiné-Bissau ter realizado uma boa exibição na partida contra Burkina Faso, principalmente na primeira parte, os adeptos não gostaram das substituições efetuadas na segunda parte, o que ditou a derrota da seleção nacional por 2 a 1.

Ouvido pelo Jornal O Democrata no final do jogo com Burkina Faso, o adepto guineense, NelitoJosé Quadé, mostrou-se revoltado com mais uma derrota e fez lembrar a FFGB que os treinadores vivem dos resultados positivos, por isso, Boa Morte não reune condições para continuar a frente da seleção nacional.

“Eu acho que o futebol vive dos resultados e não importa qualidade dos treinadores e jogadores, mas o que é mais importante é a federação fazer alguma coisa e se o próprio selecionador nacional não pode por o seu lugar a disposição, o organismo deve assumir e despedir o técnico, porque já não reúne condições para continuar”, afirmou Nelito José Quadé no final da partida.

Outra adepta dos Djurtus, Girai Gomes, estava bastante triste e desanimada, transmitiu ao Democrata que o técnico luso-são tomense não tem condições para continuar.

Por seu turno, Tigana Té Fernandes, tem opinião diferente e fala da falta de vontade e patriotismodos atletas durante os jogos da seleção nacional. Té Fernandes realçou as qualidades da equipa técnica, mas lembra de que o Boa Morte não esta aaltura das exigências do futebol nacional, devido a falta do conhecimento da realidade da Guiné-Bissau.

Em reação a ondas de críticas e constatações dos adeptos, o selecionador nacional de futebol, Boa Morte, diz que compreendeu a revolta dos adeptos, mas mostrou-se disponível para continuar a liderar o corpo da equipa técnica nacional. 

“Enquanto a Guiné-Bissau trabalhar comigo, estarei sempre disposto a trabalhar. Nunca virei a cara à luta desde os meus primeiros dias de futebol nunca conquistei nada facilmente e sempre trabalhei duro. Se agora está a ser uma fase menos boa, tem que trabalhar duro e eu com meus jogadores estamos aqui para assumir a nossa responsabilidade”, afirmou Boa Morte, visivelmente abatido com mais uma derrota da seleção nacional.

Embora se mostrasse satisfeito pela exibição dos seus jogadores diante do Burkina Faso, o técnico luso são tomense diz que os guineenses podem ainda sonhar com uma presença no mundial, mas com as duas derrotas seguidas fica mais difícil concretizar este sonho. 

Para além dos adeptos, as autoridades desportivas e governamentais estão preocupadas com esta crise de resultados da seleção nacional nos últimos tempos. 

A ministra da Cultura, Juventude e Desportos, Maria da Conceição Évora, começou por lamentar mais uma derrota dos Djurtus, lembrando que os investimentos feitos pelo governo na seleção nacional para ter os resultados almejados. Na sua curta declaração aos jornalistas no final da partida, Conceição Évora assegurou que nos próximos tempos os agentes envolvidos no futebol sentarão numa mesa para analisar os ciclos sucessivos das derrotas.

Inserida no grupo A da zona africana de qualificação para o mundial 2026, juntamente com Egito, Burkina Faso, Etiópia, Serra Leoa e Jibuti, a Guiné-Bissau já realizou seis jogos, mas somente conseguiu uma vitória frente a seleção de Jibuti. Este triunfo foi conseguido pelo antigo selecionador nacional, Baciro Candé. Nos restantes cincos jogos, os Djurtus perderam dois e empataram três partidas.

Com a conclusão da sexta jornada, a Guiné-Bissau mantém-se com 6 pontos na tabela classificativa. A equipa dirigida por Luís Boa Morte só volta a competir no mês de agosto do ano curso, recebendo a visita de Serra Leoa no Estádio Lino Correia em Bissau.

Contratado em março de 2024 e apresentado em maio do mesmo ano, Boa Morte na altura prometeu trabalho e compromisso para entrar em campo sempre com a ideia de ganhar os jogos.

Por: Alison Cabral  

Author: O DEMOCRATA

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