O Presidente da Transição, general de Exército Horta Inta-á, reúne-se esta quinta-feira, 8 de outubro de 2026, separadamente com o Governo de Transição e a Comissão Nacional de Eleições (CNE), anunciou a Presidência da República em comunicado.
O conteúdo dos encontros não foi divulgado à imprensa. No entanto, tudo indica que a preparação das eleições presidenciais e legislativas, marcadas para 6 de dezembro, estará entre os principais temas em análise.
As reuniões ocorrem numa altura em que persistem dúvidas sobre a capacidade de cumprimento do calendário eleitoral. Diversos especialistas alertam para atrasos nos preparativos e para dificuldades organizativas que poderão comprometer a realização do escrutínio na data prevista.
De acordo com uma nota do Gabinete de Comunicação e Relações Públicas da Presidência da República, consultada por O Democrata, Horta Inta-á convocou encontros de auscultação com o Governo de Transição e a CNE para avaliar a situação política e eleitoral do país.
Segundo a agenda oficial, o chefe de Estado reúne-se primeiro com o Governo, às 10h00, e uma hora mais tarde com os responsáveis da Comissão Nacional de Eleições.
Os encontros decorrem num contexto de crescente tensão política. No início da semana, foi anunciado o regresso ao país do ex-Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló. Posteriormente, o Alto Comando Militar declarou que não existem condições de segurança para o seu retorno, mantendo igualmente as restrições às atividades políticas em vigor.
As medidas impostas pelos militares, que exercem o poder desde 26 de novembro de 2025, limitam a atividade dos partidos políticos e de eventuais candidatos, dificultando ações de mobilização e preparação eleitoral.
Entretanto, o presidente do PAIGC, Domingos Simões Pereira, considera inviável a realização das eleições em 6 de dezembro, argumentando que “não estão reunidas as condições necessárias” para que o processo decorra na data estabelecida.
Para o líder do PAIGC, a gravidade da crise exige o envolvimento de parceiros internacionais, nomeadamente Portugal, a União Africana, a União Europeia, a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) e a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). O objetivo, segundo afirmou, é contribuir para a construção dos consensos necessários ao regresso da ordem constitucional.
As conclusões das reuniões desta quinta-feira poderão ser determinantes para o futuro do calendário eleitoral, clarificando se as autoridades mantêm ou não a data de 6 de dezembro para a realização das eleições.
Por: Filomeno Sambú


















